Outro dia foi dia mundial da água, data em que tudo acontece para lembrar as pessoas da importância desse bem. Bobagem! Lembramos disso o tempo todo. Eu mesma acabei de tomar banho e aquela dor que martelou minhas têmporas a tarde toda passou. Água para intestinos preguiçosos, para tirar ramela de manhã, para lavar roupa e salada. Água tratada. Que nasce na torneira e morre no ralo, deixando uma lembrancinha na toalha molhada. Mentira! Mas no fim das contas é assim que fazemos! Pagar a conta no fim do mês é nosso máximo! O caminho das águas nas bacias hidrográficas é bem maior. Visualize as seguintes bacias e escolha sua favorita.
Sem todo esse concreto urbano: as nuvens despejam água lá do alto e as árvores são as primeiras a recebe-la nas copas. Depois escorre pelos troncos e encharca a cobertura de detritos orgânicos no chão, infiltra no solo e é absorvida por raízes. Ou ela pode percolar atingindo águas subterrâneas e só então chega ao leito do rio. Se a chuva for grande, dali um tempo ela naturalmente extravasa para suas várzeas, ou também chamadas planícies de inundação ou ainda leito maior do rio.
Na selva de pedra: as nuvens despejam água lá do alto e os arranha céus são os primeiros a se banhar. Ela escorre pela calha, rola pelo asfalto sujo de óleo e outras porcarias, corre por uma galeria onde se surpreende com a presença de ex-gotas e juntas seguem até rio mais próximo. A cada novo lote impermeável da cidade, as gotas batem recorde de velocidade até o rio. Corrida com cada vez mais adeptas que trazem consigo sedimentos de todo tipo. A pista fica apertada. O rio extravasa para as planícies de inundação, que agora se chama Marginal Tietê.
A minha favorita é a primeira, mas já que existimos aos bilhões não custa (quase) nada deixar o caminho das nossas águas urbanas mais agradável. Há também descrições mais poéticas:
O rio (de Vinicius de Moraes)
E outro sobre as águas na Londres do século XVIII (de Swift, mesmo autor de “As aventuras de Gulliver”)
De todas as partes as sarjetas inchadas afluem, E enquanto avançam, ostentam seus troféus. Imundícies de todas as cores e odores parecem contar, Pelo aspecto e pelo cheiro, de que rua velejaram. Refugos das tendas dos açougueiros, bosta, tripas e sangue, Cãezinhos afogados, arenques fedidos, todos encharcados na sujeira, Gatos mortos e folhas de nabo rolam corrente abaixoLimpa ou suja é tudo água. A mesmíssima desde o início dos tempos. Que se renova numa dança bio-físico-química da natureza.
Alguns já começaram a fazer um pouco mais do que somente pagar o talão de água. Uma experiencia bonita e necessária em quase todos os cantinhos desse país. É meu xodó também
Para quem gosta de animação, algo puro e verdadeiro sobre a Bolívia (bom para assistir com filhotes!)













