Publicado por: Aline Matulja | abril 4, 2011

Sobre Drummond, Cidades e Florestas

Tenho lido um bocado de explicações sobre tempestades lá e cá, no outro ano cá e lá.

Também sobre as perspectivas científicas de mudanças climáticas – dividem a arena céticos e supercomputadores. O medo apita o round, o descaso assiste apático.

À parte de especulações, tenho ouvido opiniões especialistas sobre deslizamentos, remoção de favelas, etc.

E tem jornal popular que: nunca se espreme porque pode derramar (Salve Tom Zé!)

Então preferi ler poesia:

Um dia, possivelmente madrugada de trovões,
virá tudo de roldão
sobre nossa ultra, semi ou nada civilizadas cabeças
espectadoras
e as classes se unirão entre os escombros. (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE em Favelário Nacional, 1984)

Não foi por acaso que deu na telha desse mineirinho, urbanita de Nova Friburgo na década de 1920, escrever tal “profecia” em 84: o fenômeno urbano não planejado se desvelava em velocidade de cruzeiro!

Enquanto discutimos aqui, as metrópoles incham dali. São Paulo é a maior entre todas as do Trópico Úmido com seus 19,6 milhões de pessoas. Dos lugares onde mais se chove no mundo! Sua influencia nacional e internacional irradia para todo o Sudeste onde, a propósito, a Mata Atlântica stands!

Exuberante, compõe ambiente para milhões de espécies, inclusive a nossa! E nos salva do pesadelo do horizonte infinito de concreto por toda nossa faixa litorânea.

Fazer uma lista dos serviços que as Florestas, ao som de canarinhos, nos prestam seria pretensão, mas:

- nos dão água de beber;
- seguram as pesadíssimas encostas de solo raso e blocos soltos de granito,
- protegem as margens de rios, mantendo-o como um lugar por onde as enxurradas preferem passar e
- equilibram a umidade e temperatura dos espaços urbanos.

E ainda, tem gente que acha que não precisa dela!!! Ou preferem um crescimento econômico incompatível a sua existência.

Essa animação explica rápido:

Diante das notícias de escombros, que assistimos sem parar a correria da vida cosmopolita, pensamos que as doações de não perecíveis são nosso máximo. Então, de maneira muito modernosa podemos avançar na escala de civilidade de Drummond e assinar a petição que será levada aos nossos Deputados, em defesa de coerência.

http://www.avaaz.org/po/peticao_codigo_florestal/?sos


Respostas

  1. Na reunião de discussão do Novo Código está lá a Ministra do Meio Ambiente rodeada de ruralistas por um lado e o presidente da FIESP do outro. Alerta máximo, civilizadas cabeças! Assinemos a petição!

  2. Coisa impressionante a ganância dos ruralistas em pleno século XXI…depois vem a erosão, as enxurradas, a falta de fertilidade no solo, os desequilíbrios na delicada teia da vida…uma lástima que ainda existem pessoas assim. Assinar esta petição é lutar pela sobrevivência da espécie humana e de todas as outras formas de vida!

  3. Sem comentários. O jeitinho cheio de lindeza pra escrever da vida.
    Texto simplismente maravilhoso!

    Beijos

    • como é bom ter amiga!!! rsrs

  4. Recebi essa surpreendente crônica por e-mail, em resposta a este post. Vocês vão gostar:

    Por milhares de anos essas Florestas abrigaram tribos descalças. Caçadas e sacrifícios aconteceram ali satisfazendo muitos Deuses. A chuva como prova. Os muitos animais também.
    Muito tempo depois, botas estranhas pisaram seus musgos. Mais algum tempo e reconheceram seus frutos. Abriram caminhos para chegar até eles. Com barro e palha, construíram alguns abrigos à beira das trilhas. Os mosquitos enfernizavam suas peles brancas e os botavam de cama. Os vagalumes eram confundidos com estrelas.
    Com querosene de além mar e óleo das baleias daqui mesmo, os lampiões iluminaram as praças.
    Após desajeitada caminhada, bem-vestidas damas e cavalheiros de chapéu conheceram alguns mirantes para desfrute da paisagem.
    Crianças saíram cedo para pescar no rio. Casais de namorados foram mais tarde. E se deitaram na grama macia…
    Ali, hoje é o 741-A. No ap. 84, uma decoradora pensou um quarto todo verde. O desenho chegou pelo e-mail. A mobília veio em caixas de papelão. O avião passa muito perto e o barulhinho da fonte não funcionou muito bem.
    Naquele brejo que dava muito lambari, tem um estacionamento vertical. O escritório ficava na loja da rua mas encheu d’água tantas vezes que passou pro último andar, com ar-condicionado.
    Onde se faziam elegantes piqueniques, corre uma via expressa. Atravessá-la à pé ficou mais fácil com a construção da passarela pré-fabricada. O projeto tem ainda um jardim de espécies nativas, iluminado. Mas os recursos não deram.

  5. E ontem os ruralistas bancaram a ida de cerca de 10 mil “manifestantes” pra pressionar o Congresso a aprovar as mudanças absurdas que querem fazer no Código Florestal Brasileiro.

    Diante desse poderio, o mínimo que podemos fazer é assinar a petição do Avaaz e estimular os amigos a fazerem o mesmo.

    Vamo que vamo?! ;-)

  6. Muito bom!

    Vale a pena aguardar as atualizações por aqui!

    Beijo!


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