Publicado por: Aline Matulja | abril 4, 2012

Água na Cidade

Outro dia foi dia mundial da água, data em que tudo acontece para lembrar as pessoas da importância desse bem. Bobagem! Lembramos disso o tempo todo. Eu mesma acabei de tomar banho e aquela dor  que martelou minhas têmporas a tarde toda passou. Água para intestinos preguiçosos, para tirar ramela de manhã, para lavar roupa e salada. Água tratada. Que nasce na torneira e morre no ralo, deixando uma lembrancinha na toalha molhada. Mentira! Mas no fim das contas é assim que fazemos! Pagar a conta no fim do mês é nosso máximo! O caminho das águas nas bacias hidrográficas é bem maior. Visualize as seguintes bacias e escolha sua favorita.

Sem todo esse concreto urbano: as nuvens despejam água lá do alto e as árvores são as primeiras a recebe-la nas copas. Depois escorre pelos troncos e encharca a cobertura de detritos orgânicos no chão, infiltra no solo e é absorvida por raízes. Ou ela pode percolar atingindo águas subterrâneas e só então chega ao leito do rio. Se a chuva for grande, dali um tempo ela naturalmente extravasa para suas várzeas, ou também chamadas planícies de inundação ou ainda leito maior do rio.

Na selva de pedra: as nuvens despejam água lá do alto e os arranha céus são os primeiros a se banhar. Ela escorre pela calha, rola pelo asfalto sujo de óleo e outras porcarias, corre por uma galeria onde se surpreende com a presença de ex-gotas e juntas seguem até rio mais próximo. A cada novo lote impermeável da cidade, as gotas batem recorde de velocidade até o rio. Corrida com cada vez mais adeptas que trazem consigo sedimentos de todo tipo. A pista fica apertada. O rio extravasa para as planícies de inundação, que agora se chama Marginal Tietê.

A minha favorita é a primeira, mas já que existimos aos bilhões não custa (quase) nada deixar o caminho das nossas águas urbanas mais agradável. Há também descrições mais poéticas:

O rio (de Vinicius de Moraes)

Nascente do Rio Tietê em Salesópolis

Uma gota de chuva
A mais, e o ventre grávido
Estremeceu, da terra.
Através de antigos
Sedimentos, rochas
Partiu fragilmente
Sequioso de espaço
Em busca de luz.
Ignoradas, ouro Carvão, ferro e mármore
Um fio cristalino
Distante milênios
Um rio nasceu.

E outro sobre as águas na Londres do século XVIII (de Swift, mesmo autor de “As aventuras de Gulliver”)

De todas as partes as sarjetas inchadas afluem,
E enquanto avançam, ostentam seus troféus.
Imundícies de todas as cores e odores parecem contar,
Pelo aspecto e pelo cheiro, de que rua velejaram.
Refugos das tendas dos açougueiros, bosta, tripas e sangue,
Cãezinhos afogados, arenques fedidos, todos encharcados na sujeira,
Gatos mortos e folhas de nabo rolam corrente abaixo 
 

Limpa ou suja é tudo água. A mesmíssima desde o início dos tempos. Que se renova numa dança bio-físico-química da natureza.

Alguns já começaram a fazer um pouco mais do que somente pagar o talão de água. Uma experiencia bonita e necessária em quase todos os cantinhos desse país. É meu xodó também 😉

Para quem gosta de animação, algo puro e verdadeiro sobre a Bolívia (bom para assistir com filhotes!)

Publicado por: Aline Matulja | dezembro 28, 2011

Urbana Mata Atlântica

Este é o prólogo de minha dissertação de mestrado que fica pronta em 2 meses. Quis publicá-lo pra ver se vou me acostumando com ele.

Vila Sahy, São Sebastião - SP

Nasci em 1984 e fui criada na cidade de São Paulo, a maior cidade tropical úmida do planeta! Cresci ouvindo o relato heroico, mas traumático da minha mãe boiando com sua Belina na Zona Leste quando começava a carreira de professora. Famílias contando na televisão que perderam tudo, do nada que tinham. Vizinhos do Cambuci instalando comportas nos portões e pintando seus muros a cada ano para superar a lembrança de mais uma cheia.

Aprendi a andar de bicicleta nos jardins do Ipiranga onde estão as margens plácidas do hino: cada dia mais fétidas. Fechávamos os vidros para o medo do assalto e para cheiro do rio Pinheiros, ambos produto do mesmo abandono. Às vezes dava vontade de acampar com aquelas crianças numa casinha de madeira em baixo da ponte e não entendia por que eu não devia olhar nos olhos dos mendigos que moravam na praça em frente de casa. Olhava pela janela do carro e perguntava-me por que aquelas máquinas enormes dentro do Tietê; não seria melhor parar de jogar cocô ali?

Ia passar férias em Guarapari, latitude 20°S no Espírito Santo, e a cada ano que passava a cidade estava maior. Eu não podia mais ir tomar sorvete sozinha, nem passear na feirinha. Um dia toda aquela gente ficou proibida de entrar no mar por causa da bandeira vermelha e fazia muito calor. Eu perguntava pra minha mãe: “Mas quem foi que fez cocô na água?”. Não fomos mais pra lá. Agora descíamos a serra do mar paulista quando passávamos por Cubatão, onde meu pai sabia de cor cada receita para fazer soda cáustica, cloreto de alumínio, solvente clorado, etc e etc. Ele, entusiasmado, dizia que tudo que temos, incluindo minhas bonecas, dependia daquelas fábricas. Eu só achava que elas não combinavam com aquela floresta encantada entrecortada por túneis e cachoeiras e nem com o mico leão dourado que vinha no chocolate surpresa. E a ararinha azul então que, segundo a figurinha, só havia mais um casal no mundo? Torcia pra elas não se perderem uma da outra como aconteceu com minha mãe e eu no supermercado outro dia.

Já em Bertioga a gente via índios guarani e eu ficava numa emoção só! Era um sinal que estávamos num lugar sem cidade. Só achava estranho eles estarem de roupa na beira da estrada vendendo e não do rio pescando. Chegando em Camburi era uma festa só! Aqui podia tudo! Pena que chovia! Chovia tanto em São Sebastrovão, bem nas férias de verão. Eu achava que a gente tinha que ter férias em outro mês. Um dia choveu tanto que encheu a rua de casa e até que era divertido caminhar com agua na canela. No outro ano a água entrou em casa e a gente subiu tudo, perdemos só o sofá, mas foi engraçado ver até meu pai puxando lama pra fora. Foi a farra do rodo. Todo ano acontecia, o nível da água cada vez mais subia conforme Camburi crescia.

Também cresci. Fui fazer faculdade em Florianópolis, latitude 27°S em Santa Catarina. Fui morar na praia e aprendi a gostar de vento e chuva! Aprendi também o que é mangue, restinga, floresta ombrófila densa. Vi como é simples tratar esgoto, monitorei poluição de gasolina em lençol freático. Fiz amigos urbanistas que, no papel, otimizavam espaço e sugeriam materiais reciclados muito baratos para construção de casas populares. Aprendi que no mundo de tecnologias existe solução para quase tudo. Mas continuava sem entender porque aquela cidade poluía seu principal ponto turístico, a Lagoa da Conceição, e a ocupação de suas encostas crescia para locais improváveis. A condição de vida na Ilha da Magia começava a me lembrar minha cidade natal, ou Guarapari, ou Rio de Janeiro.

Passei a frequentar audiências públicas para discussão destas questões. Via de um lado o governo respaldado de palavreado técnico e do outro, pessoas indignadas, reagindo com argumentos individuais àquela agressão coletiva. Violência mútua. E eu pensava: Por que brigam tanto se a solução só poderá ser o que é melhor para todos? Seria possível que se chegasse a um consenso? Qual é a origem do problema que estamos discutindo? Quais são as alternativas, suas vantagens e problemas? O que diz a lei sobre isto? Nada disso era respondido. Queria saber onde estavam aqueles autores que diziam o que era certo e errado naquele momento. Em suas páginas parecia tão fácil escolher e aplicar aquelas tecnologias.

Encontrei um mundo em que os interesses políticos e econômicos prevalecem ao bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida como diz o artigo 225 da constituição federal. Junto com isso a incapacidade de dialogar e uma gestão setorizada voltada para o problema imediato, em que não se olha para a causa das causas.

Faz tempo que lemos Consequências da Modernidade de Anthony Giddens (1990), mas na corrida da globalização construímos um país tropical urbano com problemas sociais e ambientais incoerentes ao avanço econômico. O discurso de o Ponto de Mutação de Fritjof Capra (1983) também já está batido, mas a importância dada a hiperespecialização alimenta a fragmentação do mundo onde somos mais robôs do que cidadãos. Segue nas próximas páginas uma tentativa em sentido contrario.

Publicado por: Blé Binatti | maio 12, 2011

Brasil, quarta-feira, 11 de maio de 2011.

Assim como grande parte dos brasileiros, acompanho ansiosamente (e em tempo real) a votação do, assim chamado, Novo Código Florestal Brasileiro.

Aproveitando esse momento gostaria de apresentar aqui um texto onde pesquisadores brasileiros tratam da “miopia ambiental” dos nossos políticos.

É momento de refletirmos coletivamente sobre a questão em debate.

Proteger as terras brasileiras para prevenir desastres.

A culpa pelas grandes enxurradas e inundações que mataram mais de 890 pessoas na região Serrana do Rio tem sido depositada na conjunção sobre chuvas excessivamente pesadas e características do solo. Nós, por outro lado, acreditamos que as principais responsáveis são as políticas públicas de uso da terra cada vez mais caóticas.

Em 1965 o Código Florestal Brasileiro regula o uso da terra em áreas rurais e lança princípios gerais para áreas urbanas, de tal modo que encostas, topos de morros e ambientes ciliares devam ser protegidos permanentemente. Essas são essencialmente áreas responsáveis por serviços ecossistêmicos cruciais como a estabilização de terrenos, regulação de enchentes e fornecimento de água.

Depois de décadas de expansão urbana e rural em forte negligência com o estabelecido pelo Código Florestal, a tão divulgada história livre de grandes desastres naturais começa a ruir. As calamidades naturais no Brasil tornam-se cada vez mais frequentes e severas. Além dos recentes ocorridos na Região Serrana do Rio, desastres naturais em diversos estados acumulam centenas de mortes nos últimos 3 anos, além de milhares de pessoas temporária ou permanentemente desabrigadas.

Na contramão dos sinais óbvios que a natureza tem dado, tramita no congresso brasileiro uma proposta de substituição do Forest Act que prevê, entre muitas mudanças, a redução de 50% nas Áreas de Proteção Permanente (APPs) associadas aos pequenos córregos (0-5m), com concessão de autonomia aos estados para reduzirem pela metade todas as áreas de APP associadas a qualquer tipo de rio. A proposta de Código resolve o imbróglio da aplicação das APPs em áreas urbanas concedendo total poder à esfera municipal para definir suas próprias normas.

A miopia ambiental dos políticos brasileiros tem levado a completa dissociação da ocorrência cada vez mais frequente de catástrofes naturais com o desrespeito às APPs. No lugar de reforçar a lei vigente, está sendo proposta a legitimação das violações históricas que levaram ao atual quadro de insegurança coletiva e gastos exorbitantes em ações de remediação.

Lobistas do agribusiness estão tentando a todo custo forçar uma votação urgente nessa matéria para reduzir a pressão para o custoso cumprimento das normas estabelecidas por proprietários recalcitrantes (sobretudo por decretos regulamentadores do Código que estabeleceram prazos para adequação ao Código que vencem este ano).

Como tão comumente ocorre com os temas ambientais, mais uma vez o bem estar de muitos é ameaçado pelos interesses de poucos.

Autores: Carlos A. Zucco; Luiz Gustavo R. Oliveira Santos e Fernando A. S. Fernandez – Universidade Federal do Rio de Janeiro (Texto publicado na renomada revista científica Nature em fevereiro deste ano)

Outra sugestão de leitura é o texto “Olho no Futuro” da coluna da jornalista Miriam Leitão http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2011/05/08/olho-no-futuro-378922.asp

Se é que é possível, desejo uma boa noite a todos!

À pedido dos autores gostaria de esclarecer que:  (1) Trata-se de uma tradução livre feita pelos mesmos; (2) O texto foi redigido em fevereiro de 2011, portanto alguns pontos do projeto já foram modificados ou podem estar desatualizados. (3) Esse texto trata exclusivamente do debate associado às APPs, desconsiderando assim a questão das reservas legais.

Publicado por: Aline Matulja | abril 4, 2011

Sobre Drummond, Cidades e Florestas

Tenho lido um bocado de explicações sobre tempestades lá e cá, no outro ano cá e lá.

Também sobre as perspectivas científicas de mudanças climáticas – dividem a arena céticos e supercomputadores. O medo apita o round, o descaso assiste apático.

À parte de especulações, tenho ouvido opiniões especialistas sobre deslizamentos, remoção de favelas, etc.

E tem jornal popular que: nunca se espreme porque pode derramar (Salve Tom Zé!)

Então preferi ler poesia:

Um dia, possivelmente madrugada de trovões,
virá tudo de roldão
sobre nossa ultra, semi ou nada civilizadas cabeças
espectadoras
e as classes se unirão entre os escombros. (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE em Favelário Nacional, 1984)

Não foi por acaso que deu na telha desse mineirinho, urbanita de Nova Friburgo na década de 1920, escrever tal “profecia” em 84: o fenômeno urbano não planejado se desvelava em velocidade de cruzeiro!

Enquanto discutimos aqui, as metrópoles incham dali. São Paulo é a maior entre todas as do Trópico Úmido com seus 19,6 milhões de pessoas. Dos lugares onde mais se chove no mundo! Sua influencia nacional e internacional irradia para todo o Sudeste onde, a propósito, a Mata Atlântica stands!

Exuberante, compõe ambiente para milhões de espécies, inclusive a nossa! E nos salva do pesadelo do horizonte infinito de concreto por toda nossa faixa litorânea.

Fazer uma lista dos serviços que as Florestas, ao som de canarinhos, nos prestam seria pretensão, mas:

– nos dão água de beber;
– seguram as pesadíssimas encostas de solo raso e blocos soltos de granito,
– protegem as margens de rios, mantendo-o como um lugar por onde as enxurradas preferem passar e
– equilibram a umidade e temperatura dos espaços urbanos.

E ainda, tem gente que acha que não precisa dela!!! Ou preferem um crescimento econômico incompatível a sua existência.

Essa animação explica rápido:

Diante das notícias de escombros, que assistimos sem parar a correria da vida cosmopolita, pensamos que as doações de não perecíveis são nosso máximo. Então, de maneira muito modernosa podemos avançar na escala de civilidade de Drummond e assinar a petição que será levada aos nossos Deputados, em defesa de coerência.

http://www.avaaz.org/po/peticao_codigo_florestal/?sos

Publicado por: Blé Binatti | fevereiro 22, 2011

Reciclemos Consciências

“A gente não é catador de lixo, a gente é catador de matérias recicláveis. Lixo é aquilo que não tem aproveitamento, material reciclável sim.” (Tião Santos – Presidente ACMJG)

Foi essa frase ao final do documentário “Lixo Extraordinário” que me motivou a escrever este post.

Mas afinal de contas, o que estamos fazendo com os resíduos que geramos?

Diariamente me deparo com pilhas velhas, lâmpadas queimadas, remédios vencidos entre outros resíduos que vão se acumulando pelos cantos da casa a espera de um destino adequado. E apesar de todas as tentativas de amenizar os impactos do meu consumo sobre meio ambiente e a sociedade, ainda encontro sérias dificuldades para garantir o destino adequado para a grande maioria dos resíduos por mim gerados.

Lixo: O que é, e o que não é?

Segundo meu querido dicionário Aurélio a palavra LIXO trata-se de um substantivo masculino cujos significados atribuídos são:
1. Aquilo que se varre da casa, do jardim, da rua, e se joga fora; entulho.
2. Tudo o que não presta e se joga fora.
3. Sujidade, sujeira, imundície.
4. Coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor.
5. Restr. Resíduos que resultam de atividades domésticas, industriais, comerciais, etc.
6. Fig. V. ralé (1).

Até concordo com a parte que diz “tudo que não presta”, mas isso vai depender do ponto de vista, o que não presta para mim, talvez tenha serventia para o outro.

Entulho não presta? Coisas velhas, obsoletas e sem valor são lixo? Será que os resíduos que geramos não poderiam ser melhor aproveitados antes de serem descartados em “lixões” a céu aberto?

Ao ver as imagens chocantes dos caminhões de “lixo” chegando ao aterro de Gramacho, senti-me deprimida. Não só pela situação insalubre e perigosa em que trabalham aqueles catadores, mas também por saber que estamos todos diariamente contribuindo com esta atrocidade.

Cabe-nos então uma reflexão, individual e coletiva, sobre a maneira como lidamos com os resíduos que produzimos.

Reciclemos corações e consciências!!!

Publicado por: Aline Matulja | fevereiro 9, 2011

Reciclemos corações

Depois de 40 dias de enchentes eu recolho uma bola de papel do chão e digo à desconhecida:
– ei, você deixou cair!
e ela, com seu olhar opaco:
– vai tomar no c´

A feiosa saiu bufando. 5 metros dalí, a velhinha da banca de jornal que tudo assistiu me ofereceu sua lixeira dizendo:
-não fique assim filhinha, São Paulo precisa de você.

Saí dalí em uma confusão de frustração com raiva. Tentei imaginar que tanto sofrimento já passou essa menina de uns 20 anos pra agir assim.

Culpei o extrato social ao qual faço parte por submetê-la a escolas depredadas, famílias desestruturadas, salários ridículos e outras mazelas.

Aí assisti ao trailer do documentário em cartaz Lixo Extraordinário (3 minutinhos!)

Vi que pobreza e falta de oportunidade não justificam amargura, dureza e apatia.

Toda sujeira que avistamos nos rios e que entopem nossa cidade se inicia no âmago da intimidade e se espalha através de nossas relações.

Reciclemos nossos corações!

Publicado por: Blé Binatti | novembro 8, 2010

A IMPRESSÃO nossa de cada dia!

Retomando nossa onda de movimentos reflexivos proponho refletirmos sobre mais um vício nosso de cada dia. A IMPRESSÃO!

Durantes minhas vivências pós-graduandísticas tenho conhecido muita gente interessante, seres pensantes, que fazem e querem fazer a diferença nesse mundão de tanta gente.

Foi nesse caminho que conheci nosso querido eco-designer Duda Itajahy, e agora proponho que nós curtamos o blog dessa figura que quer fazer a diferença!

http://impressoesverdes.wordpress.com/

Segundo o próprio blogueiro: “Este blog é o somatório de nossas observações pessoais sobre eco-design, sustentabilidade, área gráfica e o mundo à nossa volta.”

Boas Impressões a todos!

Publicado por: Aline Matulja | outubro 30, 2009

Pra que mesmo serve a água?

Desde que iniciei meus estudos sobre a sustentabilidade, uma dúvida pairava sobre mim: por que é que o modo mais comum no mundo de dar um fim no cocô é empurrá-lo com uma água igual a que usamos para cozinhar ou tomar banho?

Esta resposta há alguns anos estava mais oculta do que hoje. Entretanto, mesmo com a popularização de práticas como o reúso de águas cinzas (aquelas das pias de banheiro e ralos) ainda existe uma obscuridade envolvendo tal incoerência.

Para desvendar tal mistério transitei entre referências  culturais e técnicas.

Nos anos 70 o austríaco Hundertwasser trabalhou a idéia de que somente o contato o cocô oferece ao homem a imortalidade, pois:

“He who uses the humus toillet
does not fear death
because our shit makes future life
makes our rebirth possible”
(Hundertwasser, 1979 em  “The sacred shit” ou “A merda sagrada” poema de 41 estrofes)

hw_shit_3

Ele desenvolveu e aplicou em suas construções arquitetônicas o hummus toilet: portátil e com telinha protetora para insetos. Com um jardim desse, certamente  deve ser mais agradável do que o lavabo lá de casa! A beleza de suas plantas revela que o húmus funcionava mesmo e ele garantiu em seus textos que não havia odores.

O tratamento das fezes nos banheiros secos é feito por compostagem. Quem trabalha são as bactérias e a temperatura gerada nesta atividade pode ultrapassar os 70 graus celsius – é o que garante, na teoria, a morte dos bichinhos causadores de doenças.

Entretanto, no campo das pesquisas sanitárias existem muitas controvérsias sobre o risco dos chamados organismos patógenos. Essa era a pulga atrás da orelha da bióloga Barbara Samartini, que foi fundo no assunto em sua monografia. Ela analisou a eficiência de banheiros secos, pois os padrões importados do hemisfério norte podem não funcionar no país tropical!

Ela concluiu que nem sempre ocorre a completa sanitização do composto (adubo, restos, grude), pois isto requer condições ótimas de oxigenação, temperatura, umidade e pH no sistema. Resumindo, requer mais estudos, mais experiências e coragem para lidar com o novo.

Outro dia aprendi com Prem Baba, que a mudança é a transição do medo  para a confiança.  Assim, deixo  alguns caminhos já trilhados por outros, para que você mesmo perceba o que pode fazer agora.

A caixa de descarga com dupla opção já é item básico de quem pensa em  reforma do banheiro, né?! Gasta 6 ou 3 litros, contra pelo menos 16 da válvula convencional…poderíamos beber essa água toda e sermos mais saudáveis 😉

bacia_descarga_dupla

Fernando Angeoletto, de Santa Catarina, demonstrou em seu vídeo como é simples, viável e efetiva a tecnologia do banheiro seco. Quem estiver pensando em fabricar o seu, dê uma olhadinha:

http://www.youtube.com/watch?v=fi-OYbFFrX4&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=B1sxhUJt9ic&feature=related

Até a televisão já esboçou algum interesse…. veja lá :  Cidades e Soluções – reportagem que reuniu boas experiências no país…

Publicado por: Aline Matulja | outubro 26, 2009

Não separe o lixo – basta não misturar!

A crise de consciência associada ao consumo apresenta seus progressivos sinais há pelo menos 4 décadas, quando a praticidade da vida moderna passa a justificar o consumo e produção de bens não duráveis, em um hábito sem limites.

Embora o “Resíduo Sólido” seja a vertente do saneamento mais evidente na mídia, mesmo porquê o colorido das latas de seleção é um belo chamariz, pouca gente pratica a separação de lixo. Nem seria necessário se percebêssemos que basta não misturá-lo! Na cidade de São Paulo, apenas 0,6% segue para a coleta seletiva da prefeitura.

Experimente olhar para cima quando caminha pela avenidas repletas de prédios, ou mesmo tantas escolas, hospitais, restaurantes…

Felizmente, a criatividade em tempos de crise é encantadora e podemos ter coragem para mudar, começando por nosso microcosmos. Aplique  a idéia de que, se não pudéssemos remover o lixo dalí, seu canto – escritório, casa, ateliêr, lojinha – logo se tornaria insustentável à vida! Em quanto tempo isto aconteceria?

Poderíamos encher poltronas como as do designer Nick DeMarco criou a XS Chair.

XS_Nick_DeMarco

Fazer brinquedos, como a Fabiola Tardin, reuni reaproveitamento, educação e redução do consumo de um brinquedo novo.

brinquedos_01

Ou então simplesmente levá-los limpinhos à um Posto de Entrega Voluntária (endereços para os residentes em São Paulo).

Outra idéia incrível é sensibilizar as pessoas – conversar, explicar e ajudar! Elas podem te ajudar também!

Assim, deixo o seguinte fracTal para sairmos de vez desta crise:

crise

Publicado por: Aline Matulja | outubro 22, 2009

Fun Theory: Refletindo a sustentabilidade

escada

Que (Sobre)Viver nos grandes centros é uma tarefa difícil, todos já sabem. O direito à cidade pode ser traduzido como o merecimento de todo cidadão a um ambiente urbano saudável, o que, sem dúvidas, inclui mobilidade, saneamento, segurança e educação.

As febres conceituais podem surgir a partir de evidências científicas, de um desejo coletivo de transformação ou até mesmo de um apanhado de oportunismos.

Com o fenômeno da sustentabilidade não tem sido diferente. Um boom de novos produtos, promessas e profecias.

Esgotaremos a paciência humana antes de refletirmos de fato sobre este processo. E como reflexão tem tudo a ver com emoção, adorei a Fun Theory, ou Teoria da Alegria. Este vídeo vai mudar seu dia!

http://www.youtube.com/watch?v=2lXh2n0aPyw&feature=player_embedded

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